segunda-feira, 2 de junho de 2008

mE MAn....Me RuLe hErE


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MS MAIATY said

.pic by H AESHNA, DEZEMBRO 2007

EVeRy PAgE MusT ExPLoDE




art by H Aeshna

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sexta-feira, 23 de maio de 2008

I L.O.V.E. YOU





noise-violeta



-- quer dizer que agora eu sou o novo darling maldito gigolô michê
no Globo da morte,
o mendigo mais belo de todos os tempos,
carne de rei fantoche oferecido em sacrifício ao deus-sol?

me devorem

eu quero entrar na arena & bolinar
a Madame Fama no cio
RIMAR CÉU & INFERNO
NUMA SÓ CANÇÃO DE NINAR

do fundo da minha tara canibal
quererei enfim encontrar
a musa freakenstein das minhas fantasias
-- meu Eros voa em febre através do crepúsculo,
mergulhando nos ninhos & redemoinhos da noite noise-violeta

eu quero ir pra cama
com MADAME FAMA
sua chama viva & molhada
lambendo a saliva do meu desprezo



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sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

ACIDENTES



todas as estradas que eu já tomei
todas as ruas & cidades por onde já passei
todos os rostos que já vislumbrei
todas as porradas que eu levei
todas as canções que compuseram a minha vida
todas as vidas que compuseram minhas canções
todos os olhares sensuais que troquei
todas as abelhas que me metralharam & me seduziram & ferveram meus glóbulos
vermelhos
todos os beijos efervescentes, amantes & cópulas, tóxicos & vinhos mágicos
todos os maremotos que atravessei & ainda permaneci intacto apesar de marcado
todos os monumentos que destruí
todas as montanhas que eu conquistei
todos os sonhos que plasmei & matei & continuo sonhando & viajando
todas as cartas de amor que incendiaram as células & os desejos de uma grande
paixão correspondida
( todas as borboletas que provocaram tempestades )
todas as lágrimas que derramei em quartos escuros, solidão sufocante das noites sem fim
todas as cartas de amor que eu queimei numa fogueira na praia sob o musgo prata
de uma lua de fel
todos os sinos raivosos que o meu sangue fez borbulhar fora de hora – tin tin tin tin tin
todas as flores negras da minha primavera adolescente, dentes-de-leão sobrevoando
pântanos & perdições
todos os meus romances secretos com a Morte
todas as minhas acrobacias bêbadas na corda bamba do abismo, com todos ELES gritando
lá embaixo: “PULA”
todos os filmes toscos & planos que a chuva levou
todas as feridas que a chuva cicatrizou
todos os holofotes vampiros que me cegaram
todos os cegos que enxergaram as cores do meu coração
todos os santuários que eu sintonizei com meus delírios
todas as ilhas distantes que arderam em meus olhos
todos os navios que eu perdi & deixei ir embora, por bobeira ou sabedoria, mas bem,
dane-se!, vou construir uma arca com o meu corpo
todas as sementes que eu joguei em poços dos desejos
todas as visões que tive andando por aí que nem você
todos os pequenos acasos que mudaram o curso da minha vida
todos os demônios insanos que enrabaram minha consciência
todos os corpos que eu já possuí
todos os espíritos que me possuíram
todos os beatles que eu já assassinei
todos os ‘yo mangos’ em livrarias supermercados & shopping centers,
bancos de sangue & joalherias
todos os muros cadernos & corpos que eu pichei com meu sangue
todas as festas que eu invadi, acompanhado por uma gangue de
anjos-bomba selvagens nômades vagabundos iluminados loucos pra viver zombando da
morte
todas as escolas que eu abandonei, todos os professores das ruas
todas as casas das quais já fugi, mas descobri depois que eu sempre fugia da mesma casa, fugia do mundo –- eu fui um garoto de reformatório – comendo lixo nas ruas
todas as sarjetas & esconderijos que me abrigaram em desalento,
todas as encruzilhadas, bunkers & becos sem saída, fugas em massa
todas as becas ridículas que me obrigaram a usar
todas as vezes que eu queimei minhas roupas em público & fiz um strip da alma,
pintando & bordando nos bordéis da inocência
todas as vezes em que eu me senti distante no meio de tanta gente
todas as vezes em que eu fiquei só olhando, sem resposta pra nada
todas as bonecas de olhos sinistros que me encaravam de soslaio estirando línguas pretas
na escuridão azul do meu quarto – elas pareciam zombar da minha vã filosofia
todos os paraísos & promessas que me esperaram em vão
todos os ‘nãos’ que me deram na estrada
todos os nadas em que acabei
todos os ‘tudos’ que eu perdi, descobrindo que eu não tinha “nada a perder a não ser
meu tédio”
todas as vezes em que eu irrompi do nada
todas as vezes em que eu saí à francesa, em que eu morri à francesa
todos os despertares repentinos, portas & janelas batendo furiosamente na ventania
todas as vezes que eu escutei ‘Born to be Wild’
todos os sinais vermelhos que eu atravessei, todos os idosos que atropelei, todos os amigos & paixões loucas com os quais me choquei de frente, na contramão desse mundo
cão, compartilhando vivências & experiências, simplesmente vivendo
todos os excessos...
(é, essa é a minha geração, “velho” Towshend!)
todos os horizontes que alucinamos juntos,
todos os ‘acidentes’ que me trouxeram aqui

& a vida continua

CANTO DE NATAL

eu sou o poeta louco que se masturba enquanto escreve

com a caneta cheia de esperma
eu pinto devires molhados
& esporro meu gozo
na tela pálida dos séculos
na grama verde dos jardins & parques
como se trepasse com Deus

BLACK SWAN

Eu tenho duas listras de vertigem
No lugar das sobrancelhas

O riso rasgado de faca
& a língua ensopada de pólvora

Eu tenho você em meu colar de céu

Como um pingente da estrela d’alva

ANTI-EVANGELHO DE CIANURETO

-- sejamos eternos
nem que seja por quinze minutos!

eu sou o ladrão mensageiro

meu cheiro
permanecerá queimando
por todos os cantos que eu passei

algo roubado

(2000)